A liturgia de hoje fala-nos da missão dos Profetas através dos tempos.

O Profeta é enviado por Deus para falar em seu nome, apontar caminhos, denuncia do mal, corrigir o que é contra a vontade de Deus. Por isso não é fácil a missão do Profeta. Jesus volta a Nazaré, a terra onde nascera e passara a infância e adolescência. Regressa, depois de 40 dias passados no deserto, de ter recebido o batismo de João e de ter começado a Sua vida pública. A fama dos milagres que fizera, das coisas que ensinava, tinha já chegado a Nazaré. Mas agora, não era apenas uma notícia vaga e abstrata que ouviam. Era Ele mesmo que estava ali, diante deles, ensinando na sinagoga. Encontrava-se no meio dos seus amigos e familiares, entre aqueles com quem convivera durante muitos anos. Todos O conheciam, era o filho do carpinteiro; tinha decerto trabalhado para muitos deles. E o espanto que sentiam depressa se transformou em escândalo. Como é possível que isto aconteça? De onde lhe vem esta autoridade? Há nestas palavras um tom de censura, uma vontade de pôr cobro ao que lhes parecia um abuso de autoridade. Como podia Jesus fazer milagres e permitir-se falar em nome de Deus? Jesus mostra pela consciência da hostilidade com que é recebido ao afirmar: «ninguém é profeta na sua terra». O que querará ele dizer-nos, hoje, através deste episódio da sua vida? Sabemos que, pelo batismo que recebemos, também nós somos chamados a ser profetas; temos a missão de anunciar Deus e o Seu Reino, não necessariamente em terras longínquas, mas no local onde vivemos. Se um de nós não cumpre esta missão, no terreno que pisa todos os dias, entre aqueles com quem trabalha e convive, ninguém o pode substituir aí, nesse local e nesse momento. Por isso a missão profética exige um envolvimento total com a comunidade: a família, os companheiros de trabalho, colegas de escola, um relacionamento aberto, uma partilha de vida e de fé. Mas são precisamente estas condições que tornam difícil esta missão profética de batizados. No nosso meio, na nossa família, em casa, no trabalho e na escola, podemos encontrar resistência, dificuldade em sermos aceites com o testemunho que damos. Tal como aconteceu com Jesus. Mas como diz São Paulo, é quando nos sentimos fracos, que somos fortes. Porque, ao termos consciência das nossas dificuldades e limitações, estamos prontos a abrir o coração a Deus, deixar que o Espírito atue e se manifeste através de nós e faça maravilhas. Com a graça de Deus, que nunca nos abandona, iremos até onde Ele nos enviar, confiantes e seguros de que o Espírito transforma em força a nossa fraqueza.